Noticias

17/05/2017 Câmara debate importância do parto humanizado

O parto e o nascimento humanizado em Natal foi o tema debatido, na manhã desta quarta-feira (17), em audiência pública na Câmara Municipal. Proposta pela vereadora Natália Bonavides (PT), a audiência, que contou com a presença de representantes do Movimento Pela Humanização do Parto, Conselho Regional de Medicina, Associação Potiguar de Doulas, discutiu tópicos do Projeto de Lei 30/2017 que regulamenta  no  âmbito público e privado, a humanização da via de nascimento,os direitos da mulher relacionados ao parto e nascimento, as medidas de proteção contra a violência obstétrica. 

"A audiência  propõe debater o Projeto 30/2017, de nossa autoria, que trata das violações que as mulheres sofrem em um dos momentos mais importantes e mais sensíveis da vida que é o momento de parir. Médicos, enfermeiros, doulas e mães estão colocando a visão de cada um em relação a esse Projeto para que a gente possa aprimorá-lo e aprová-lo aqui na Câmara", disse Natália Bonavides.

De acordo com a vereadora o Projeto de Lei define quais são as práticas que caracterizam o parto humanizado e quais são as consideradas violência obstétrica. "O Projeto define quais práticas humanizam o parto e quais não devem ser praticadas, aquelas que são consideradas violência obstétrica, como gritos, xingamentos, o não respeito às decisões da mulher. É uma proposta que debate todos esses conceitos para que a rede de saúde municipal tanto pública quanto a privada possam seguir essa orientação de humanização do parto", concluiu Natália.

A psicóloga Andressa Oliveira, representante do Movimento pela Humanização do Parto, explicou que a assistência ao parto no Brasil está aquém do esperado. "Os partos realizados no país são realizados majoritariamente por via cirúrgica, gerando riscos, quando feita de maneira desnecessária. A cesariana salva vidas, mas agrega muitos riscos. A possibilidade de morte materna em cirurgias é seis vezes maior do que no parto normal", afirmou Andressa. Ela acrescentou que a assistência ao parto normal também é intervencionista. "Muitas mulheres têm medo de parir para não passar por algumas situações. Além das intervenções nós temos uma assistência desatualizada que não segue os parâmetros internacionais e as diretrizes do Ministério da Saúde", finalizou.

A advogada Liana Padilha optou pelo parto humanizado domiciliar em sua segunda gestação. Liana explicou que as práticas sofridas no primeiro parto foram determinantes para a mudança.  "Infelizmente, assim como muitas mulheres no Brasil, eu fui vítima de alguns procedimentos desnecessários, que após adquirir algumas informações, eu preferi optar por uma segunda experiência através de um parto humanizado domiciliar com a assistência de parteira, tendo em vista não haver uma regulamentação, para que haja esse parto domiciliar com assistência médica", disse Liana. 

De acordo com dados fornecidos pela representante do Conselho Regional de Medicina, Maria do Carmo Lopes de Melo, a razão da mortalidade no Brasil é em torno de 54 óbitos por 100 mil nascidos vivos e no Rio Grande do Norte o número é de 60 óbitos. "Em 2000 o Brasil assumiu, junto com os objetivos do milênio, reduzir em até 75% o número de óbitos maternos até 2015. O país não atingiu essa meta porque naquela época tinham 140 óbitos por 100 mil nascidos vivos, em 2015 o número deveria ser 35 óbitos por 100 mil", afirmou Maria do Carmo.

 

Texto: Karol Fernandes 

Fotos: Davi Fernandes

Voltar

event_note Informativo